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O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas




Talvez você não tenha lido o livro O Conde de Monte Cristo, mas com certeza já ouviu falar do filme, certo? Ele já passou diversas vezes na tv aberta e inclusive por eu AMAR o filme, fiquei com muita vontade de ler o livro.

Segue abaixo o trailer do filme para refrescar as memórias alheias:



Resumindo Edmond Dantés é um pobre homem honesto e amoroso que se torna vingativo após ser despejado injustamente numa prisão. Anos depois após conseguir fugir da prisão ele encontra um tesouro e passa a se chamar Conde de Monte Cristo, logo em seguida voltando para a França para se vingar das pessoas que o traíram.

Quando retorna, descobre que um de seus traidores não só está bem de vida, como se casou com sua antiga namorada Mercedes, de quem fora noivo antes de ser preso.

Nesse aspecto tanto o livro, quanto o filme são bem parecidos, e até essa parte da história o filme é bastante fiel, porém quanto mais se aproxima do desfecho, mais as mudanças de enredo se tornam perceptíveis.

Por exemplo, o livro tem muito mais personagens além dos mostrados no filme e o Edmond do livro é muito mais frio e calculista, focado apenas em sua vingança. Tanto que diferente do que ocorre no filme, quando Mercedes revela que sabia o tempo todo quem ele era, ele não se mostra chateado por ela ter se casado com seu inimigo, ou ainda apaixonado como antigamente.

Isso é algo que me deixou decepcionada, como boa shipper eu curtia a relação dos dois no filme e esperava ver mais no livro, porém acontece justamente o contrário.

ALERTA DE SPOILER:
No livro Mercedes e Edmond não ficam juntos e Albert não é filho dele.

No livro após se vingar de todos que o prejudicaram, Edmond vai embora da França sozinho e deixa apenas uma frase que termina o livro:

"O segredo é ter fé e esperar."

O livro é muito bem escrito e a leitura prende, logo apesar de não ser o romancezinho que eu estava esperando, o livro é bom. Porém ainda prefiro o filme por causa do ship


Para quem se interessar fica a dica de clássico que vale a pena.

Na amazon o livro impresso está bem carinho porém pra quem paga Kindle Unlimited, pode ler DE GRAÇA. Segue aqui

Veneno - Kate Pinborough

Esse livro tem a seguinte chamada: "Repense seus vilões" 

Isso me fez pensar que seria uma releitura dos contos de fada na qual simpatizamos com o vilão, a estilo do filme Malévola, por exemplo, logo comprei toda animada e mais animada ainda por saber que era uma trilogia.

No entanto confesso que minhas expectativas não foram superadas, na verdade nem chegaram perto disso.

Esse livro prova que definitivamente ser best-seller não significa livro bom. (Como se já não soubesse disso, depois de 50 tons, Crepúsculo etc etc...)

O que o livro promete: uma versão picante da história da Branca de Neve escrita de forma sarcástica.

O que o livro oferece: cenas picantes jogadas sem contexto e personagens inverossímeis. 

Tudo bem que é um livro curto de apenas 200 páginas, mas nessas 200 páginas não consegui simpatizar ou torcer por nenhum personagem.

Uma das únicas coisas que achei interessante é que a autora faz uma mistura de contos, como na série Once upon a time, pois fazem parte dessa história personagens de outras histórias também.

O livro também tem um final bem surpreendente, não posso negar, nisso ele cumpre o que promete, quando diz que não existem finais felizes.

Mas de resto, esse livro é bem dispensável e não me deixou com vontade de ler os próximos, sinto informar. É uma pena, porque tinha potencial.

Agora vamos aos spoilers, se não quiser saber, não continue lendo, embora vai fazer mais sentido o porque do meu desgosto com esse livro:

A Rainha é uma jovem de 24 anos que se casou a contragosto com o Rei, pai da Branca de Neve, mas usa de sua beleza para fazer o que quiser com o Rei e sente inveja de Branca de Neve, por isso quer casa-la a todo custo, para se ver livre dela. Não diferindo muito da história original que conhecemos da Disney, exceto pelas cenas de sexo presentes no livro.

ALERTA DE SPOILER
O caçador contratado pela Rainha, ao vê-la fica deslumbrado com sua beleza e antes das negociações, na mesma cena em que os dois se conhecessem, rola uma cena de sexo, assim DO NADA. Ok, todo mundo sabe que eu adoro livros picantes, mas que tenham contexto lógico né? A Rainha supostamente toda cheia de si iria transar com o caçador só porque ele elogiou sua beleza? Tenho Minhas dúvidas.

A personagem Branca de Neve é uma mocinha apenas quatro anos mais jovem que a Rainha, mas que parece muito mais nova (segundo a Rainha) por ser ingênua, bobinha e só querer se divertir com seus amigos anões, sem pensar em casamento. Isso faz pensar que nossa mocinha ainda é uma jovem virgem, o que torna muito esquisita a cena descrita a seguir:

ALERTA DE SPOILER
O caçador encontra Branca de Neve tomando banho nua no rio e deslumbrado com sua beleza desiste de mata-la pedindo que ela vá embora, se esconda e ele levará para a rainha o coração de um veado dizendo ser o dela.
Então Branca de Neve SE OFERECE nua para o caçador, não se sentindo nenhum pouco acanhada com sua nudez na frente dele e pede que ele a toque como tocou a rainha. E os dois se beijam, dando a entender que ele fez sexo com Branca de Neve também.
Vocês acreditam que uma mocinha bobinha e virgem faria isso com um homem desconhecido por mais bonito que fosse? Sei não.

Continuando o show de bizarrice temos o príncipe que se apaixona pela Branca de Neve já sob encanto da maldição. Ele a conhece assim e fica conversando com ela, encantado por sua beleza, e convence os anões a permitir que ele a leve para seu reino, para protege-la da rainha.

No caminho os cavalos se assustam, a carrugem acaba virando e Branca de Neve acaba acordando, pois não tinha engolido a maçã, que estava apenas presa em sua garganta. Quando acordou, o príncipe pediu Branca em casamento, completamente animado, dizendo que se apaixonou por ela enquanto ela dormia.

e ALERTA DE SPOILER
Ela aceita! A moça que não queria se casar o livro inteiro, aceita se casar com um príncipe que acabou de conhecer PORQUE ele disse que já a conhecia e estava apaixonado.

No entanto o príncipe percebe que a princesa não era nada do que ele esperava pois ela gosta de ir em bares, bebe mais que ele e tinha experiência sexual, e o príncipe acaba se tornando o verdadeiro vilão do livro.

Não darei mais spoilers porque se alguém ficar curioso e quiser ler esse livro, a melhor parte é o final e não vou estragar a única cerejinha desse bolo.

Pelo final, dou 3 estrelas, sendo bem generosa.

Se alguém já leu e discorda, por favor comente :D 

A Livraria Mágica de Paris - Nina George

O livreiro parisiense Jean Perdu sabe exatamente que livro cada cliente deve ler para amenizar os sofrimentos da alma. Em seu barco-livraria, ele vende romances como se fossem remédios. Infelizmente, o único sofrimento que não consegue curar é o seu: a desilusão amorosa que o atormenta há 21 anos, desde que a bela Manon partiu enquanto ele dormia. Tudo o que ela deixou foi uma carta — que Perdu não teve coragem de ler. Até um determinado verão — o verão que muda tudo e que leva Monsieur Perdu a abandonar a casa na estreita rue Montagnard e a embarcar numa jornada que o levará ao coração da Provence e de volta ao mundo dos vivos.

Esse livro me enganou. Logo nos primeiros parágrafos eu já pensava que esse seria o livro da minha vida, daquele tipo de livro sensível, com linguagem poética que eu vivo procurando. Eu adorava cada palavra e queria citar cada frase. Era uma mistura de Amelie Poulain com Amor em Minúscula. Era um deleite literário. Mas infelizmente, não durou muito. 

Sem muita indicação de que isso aconteceria, a linguagem poética tomou um rumo sexual que não era nada do que eu esperava. Não que isso seja necessariamente ruim em um livro, mas foi num momento muito inesperado, e parece que realmente não coube naquele contexto. Tentei passar por cima disso, mas me deixou incomodada. Parece que o clima se perdeu ali.

Depois o livro segue  e a gente "meio que acostuma" com esse ritmo, ao mesmo tempo que ele meio que fica mais leve e consegue ser realmente poeticamente sensual - o que talvez fosse a intenção desde o início - Então a história segue com personagens improváveis, acontecimentos improváveis, amizades improváveis e um rumo que não tem como dar em nada demais, para terminar bem depois do que deveria com perguntas que não foram bem respondidas. 

É uma pena pois a ideia era maravilhosa e, no começo, parecia que seria uma história deslumbrante. Mas logo se perdeu e deixou muito a desejar. A vontade que dá é de fazer a autora reescrever se apegando mais a proposta original da farmácia literária, que seria fantástica se tivesse sido mais usada, mas que quase não apareceu e por um tempo ficou até esquecida na trama toda. Ao invés disso, algumas indicações de livros foram receitadas ao final - e que não foram usadas no livro - além de algumas receitas de pratos que apareceram no livro. (Oi?)

Dizer que não gostei dessa história é impossível, afinal ela terminou de uma forma que deixa uma sensação gostosa de calmaria e coração tranquilo; mas não posso deixar de pensar que foi sim, mal organizada e poderia ter sido infinitamente melhor. 

Destrua-me - Tahereh Mafi



Destrua-me é o livro 2, de "Estilhaça-me", que já falei aqui .

A história continua ótima, já que particularmente sou fã de distopias. A personagem principal nos faz torcer por ela assim como Katniss em Jogos Vorazes e pra variar veio um triângulo amoroso chato nessa segunda parte.

E o pior: tá difícil escolher, pq os dois são lindos, rolou química e tensão sexual com os dois aiaiai estou tão confusa quanto Juliette. Só aguardando pra ler o livro 3 mesmo.

Sem contar que um deles é todo anti-herói com daddy issues. Entendededores entenderão né?

O foco neste livro é a adaptação de Juliette ao seu novo meio, já que pela primeira vez ela tem a companhia de várias pessoas como ela e não é uma prisioneira.

Podemos ver uma Juliette um POUCO mais segura de si e de seus poderes e o final do livro deu a entender que no livro 3 finalmente ela vai estar fodona empoderada, porque os mimimi de "sou pirigosa e tenho que ficar longe das pessoas" cansa um pouquinho.

Mas não cansa o suficiente pra não nos fazer devorar cada página.

Particularmente estou fascinada pela forma como a escritora descreve os sentimentos. É como se estivéssemos sentindo as emoções junto com Juliette. Até porque ela usa o famoso risco que eu nunca tinha visto em nenhum livro. E apesar do livro ser contado em primeira pessoa (algo que está meio modinha, cá entre nós.) conseguimos ter uma boa visualização dos outros personagens e das outras histórias.

Enfim recomendo tanto quanto o primeiro. Leiam e me ajudem a escolher entre os boys haha.

É isso, boa noite ^^

O Jardim Secreto de Eliza - Kate Morton

Em 1913, um navio chega à Austrália direto de Londres, trazendo com ele uma menina de quatro anos, absolutamente sozinha, sem um acompanhante adulto sequer. Com ela, apenas uma pequena mala com um livro de contos de fadas. O mistério de quem era a bela garota, que dizia não lembrar seu nome, e de como chegou ao porto, jamais foi desvendado. Em suas memórias ela trazia apenas a imagem de uma mulher que ela chamava de a dama ou a Autora e que dizia que viria buscá-la. Muitos anos depois, em 2005, na cidade australiana de Brisbane, a doce e reservada Cassandra herda de sua avó Nell uma casa na Inglaterra. Surpresa, ela descobre que a casa esconde as origens de sua avó, que foi uma vez a bela menina sem nome perdida no porto.

Por mais incrível que possa parecer, esse livro foi uma indicação de Ashley Clements (The Lizzie Bennet Diaries). Lembro vagamente da atriz ter respondido uma pergunta de uma fã afirmando que gostaria de ver/estar no filme baseado nesta obra. Como eu nunca tinha ouvido falar nessa história, fiquei intrigada com o fato dela afirmar que era tão boa e resolvi adicionar à lista de leitura. Bem, vou amar essa atriz para sempre.

Em primeiro lugar, não confunda "O Jardim Secreto de Eliza" com "Jardim Secreto" - o livro de colorir -  nem com "O Jardim Secreto" - o livro infantil - mesmo que este último tenha tanta semelhança que, a princípio, achei que se tratava da mesma história só que publicada em versões adulto e infantil.

No início, a leitura é um pouco confusa, devido a nossa falta de intimidade com as personagens e a história não seguir uma ordem cronológica. Mas, aos poucos vamos entendendo a história que vai ficando cada vez mais interessante, vamos descobrindo novas pistas, bolando nossas teorias e querendo ler sem parar.

Faltam palavras para descrever a grandiosidade e beleza dessa história, mas nada falta à autora. Esta criou uma história tão bem elaborada e amarrada  e a apresentou de forma tão brilhante, que não conseguimos pensar em nenhuma outra maneira de contá-la tão bem, de fazê-la tão interessante. 

No fim, estava tão apaixonada pelas personagens e pela escrita, que não sabia se procurava outro livro da autora ou recomeçava a leitura, já sentindo saudade de todos, não querendo que terminasse nunca.

Meu desejo é que todos possam conhecer, se intrigar e se apaixonar por esta história como fiz. Permitam-se deliciar-se nessa história. E voltem para comentar comigo. 

Jardim de Sombras - V.C. Andrews

A Saga dos Foxworth - Livro 5

A desgraça ainda não havia se instalado naquela casa quando a estranha Olivia chegou à Virgínia como noiva de Malcolm Foxworth. Finalmente, na companhia do seu charmoso marido, ela poderia encontrar a felicidade pela qual tão ansiosamente esperara. Porém, por aquela mansão sombria, cheia de cômodos estranhos, começou a espalhar-se a bruma de uma maldição. É que numa inocente criança vivia um segredo assustador, um segredo que iria manchar o orgulho dos Foxworth e perseguir suas vidas para sempre.

Jardim de Sombras foi escrito por um autor substituto, contratado pela família da autora após a sua morte, para que a história terminasse de forma satisfatória; e conta a história de Malcom e Olivia, avós das crianças, sendo contada pelo ponto de vista de Olivia através de um diário.

O livro faz revela segredos que as crianças que seriam trancadas no sótão jamais conseguiriam imaginar, mas que explicam muita coisa sobre os acontecimentos que se seguiriam. Contudo, o novo autor não conseguiu seguir a risca a mesma receita da autora original, deixando algumas pontas soltas ou pior, não conseguindo muitas vezes ser fiel aos personagens, ora mostrando atitudes que eles não demonstravam ter, ora deixando de fora certas atitudes muito presentes na personalidade nos livros anteriores. 

Como exemplo, o livro tenta demonstrar Olivia como uma boa pessoa que se tornou amarga com a vida, mas a mesma não demonstra exatamente os traços de fanatismo religioso tão fortes no primeiro livro, além de diversos outros detalhes.

Ao mostrar como tudo começou, a série deveria explicar vários fatos, mas infelizmente a grande quantidade de contradição acaba por manchar esse final que poderia sim, ser brilhante. A ideia principal é válida e explica muito, porém, poderia ter sido melhor elaborada.

Sementes do Passado - V.C. Andrews




A Saga dos Foxworth - Livro 4

Era terrível a volta para Foxworth Hall, aquele casarão medonho a onde passará os anos mais atormentados de sua vida, pensava Cathy. Mesmo que se tratasse de uma réplica da Foxworth que conhecerá, réplica que capitava toda a atmosfera de horror e perversidade demoníaca do avô Malcolm. Mas foi Chris quem se encarregou de desfazer os sombrios pensamentos de Cathy.


No quarto livro da série - último escrito pela autora - a história sobre os quatro irmãos trancados no sótão chega ao fim. Este livro traz a continuação da história dos irmãos Cathy e Chris, que agora quarentões, vivem com com seus filhos Jory, Bart e Cindy já adultos.


A família finalmente herda a fortuna prometida pela mãe no primeiro livro, passando a morar na mansão Foxworth Hall totalmente reformada por Bart, que tenta reproduzir nos mínimos detalhes a mansão no tempo de Malcom.

Bart, apesar de muito rico continua e aparentemente muito popular, continua assombrado pela inferioridade em relação a tudo e todos - principalmente ao irmão Jory - além de obcecado pela ideia de ser cada vez mais rico e mais poderoso. Jory, casado com sua namoradinha de infância, ambos bailarinos, vivem felizes e apaixonados dançando pelo mundo. Cindy, a filha adolescente - que é adotada - é a mais nova da família, e causa seus probleminhas entrando sempre em conflito com Bart em brigas horríveis e discussões intermináveis.

Cathy, Chris e Cindy, juntamente com Jory e Melodie resolvem passar um tempo em Foxworth Hall com Bart, até sua festa de aniversário, mas tudo muda quando um acidente muito suspeito acaba fazendo com que a família permaneça na mansão por mais do que o planejado. Com isso, inicia-se uma série de incidentes que atentam contra os filhos de Cathy e Chris, tornando a convivência da família cada vez mais difícil.

O final do livro, infelizmente, não é satisfatório. Muitas perguntas são deixadas em aberto e o final parece improvisado e apressado. Lembro de ter lido algo sobre a autora ter falecido enquanto terminada o livro, acredito que por essa razão ele não teve um desfecho melhor.

PDM - Stephen Wallenfels

Imagine um dia comum. Pessoas na rua, cuidando de suas vidas. Ou, ainda em casa, dormindo tranquilas. De repente, um som ensurdecedor á ponto de congelar seus pensamentos irrompe do nada, enquanto esferas gigantescas, além da imaginação, cinzentas e metálicas (?) começam a flutuar nos céus, sinalizando uma manifestação extra-terrestre em nível global.


Uma invasão perfeita e violenta, incluindo raios letais desintegrando seres humanos em segundos. Eletricidade, telefone, tv, rádio, internet cortados, baterias e pilhas inutilizadas. Encurralados nos abrigos que porventura tenham encontrado, os "sortudos" sobreviventes da onda genocida passam a enfrentar o medo do desconhecido e do extermínio, a falta de notícias de parentes e amigos, o confinamento e a crescente escassez de comida e água.  À medida que o tempo passa, a insustentabilidade da situação começa a trazer à tona outra ameaça: o egoísmo e a selvageria humanas mostrando suas caras feias por baixo do verniz ralo da civilização - o que explica o subtítulo "Sobreviver a um cerco alienígena é um feito,  Sobreviver à humanidade é outra história"

E é à partir desse ponto que o livro brilha ainda mais. Como toda boa ficção cientítica, a obra de estréia de Stephen Wallenfels (POD no original) disserta sobre os nossos tempos, a raça humana e o que a compõe, de feio e de belo.  Atos de violência, opressão, ganância e covardia - mesmo num momento limite como esse. E atos de coragem, ternura, confiança e solidariedade - mesmo num momento limite como esse. Em certas partes, o livro lembra bastante "O Ensaio para a Cegueira", de José Saramago.

A narrativa se alterna entre o ponto de vista de dois adolescentes: Josh de 15 anos, confinado em casa com seu pai, e Megs de 12 anos, presa em um estacionamento, à espera da mãe, que logo voltaria.
O ritmo do texto é tenso, econômico, irônico e apesar do tema pesado, nunca resvala para o dramalhão, tampouco foge da emoção.
Os personagens são ótimos, desde os secundários, como o pai de Josh, a mãe de Megs e  tia Janet,  até os protagonistas. Josh e Megs, às vezes, são chatos e teimosos como todo adolescente; Mas também honestos, vulneráveis e valentes a maior parte do tempo (especialmente Megs, escolha totalmente pessoal, os dois são muito legais) e tentam preservar suas ingênuas integridades apesar do colapso geral.

Outra qualidade do livro é que não se esforça para dar respostas, não se tem ideia de quem são ou o que querem os invasores, nem o motivo de seus atos hostis.Permanecemos tão no escuro como os personagens - pelo menos, por enquanto, já que o segundo livro já está para sair nos EUA (mal posso esperar!), com o título de "Monolith".

O final reforça a imensa fragilidade humana frente ao desespero, mas também ressalta a capacidade das pessoas de forjarem generosidade e abnegação quando menos se espera, mesmo que de forma absurda ou extrema.